"Nameless, Faceless"

By Gabriela Spinola
Uma das maiores maravilhas das séries de TV é a capacidade de transpor emoções aos espectadores. Roteiro, direção, atuação - tudo minuciosamente planejado para passar o sentimento correto, como em um minucioso livro. Neste episódio, um turbilhão de emoções desabaram sob os 16 milhões de espectadores estadunidenses que o assistiram na quarta-feira, e sob os muitos outros ao redor do mundo (leia-se "nós") que agonizaram junto a Aaron Hotchner.
Ao contrário do esperado, Foyet não atirou em Hotch. A maior tortura que ele fez não foram as facadas, nem a perseguição a Haley e Jack - ainda que a últia chegue num 2º lugar apertadinho. Foi fazer com que Aaron soubesse que sua vida dependia toda e inteiramente dos próximos passos de Foyet, assim como a do detetive Shaunessy. Ou seja: não há muito que a BAU possa fazer em relação ao Foyet, até ele voltar a matar.

O episódio esclareceu tudo o que queríamos saber sobre o que acontecera a Hotch, e até um pouquinho mais. Sem muito esforço, Thomas Gibson mostra aos fãs que sua atuação pode, sim, passar da seriedade quase inflexível do agente Hotchner à dor de Aaron. Independente de ser um agente do FBI ou não, naquela cena de tortura e naquela "mentirinha" totalmente detectável que disse à Prentiss, assim como na cena com Haley e Jack, o personagem teve alguns de seus melhores e mais raros momentos humanos. Não "humano" por desfazer-se da aceta de agente durão, mas por tornar-se um homem vulnerável e suscetível a erros, acertos e mesmo torturas maquiavélicas. Como nos disse Ben Cyrus em "Minimal Loss", citando a Bíblia em outro momento-chave de tortura da série, "antes da queda, vem o orgulho".
Falando em Prentiss, o episódio não só pertence a Hotch como também a ela. Assumiu perfeitamente bem o papel de líder, impassível e segura, de forma a deixar até o Gideon invejoso. A decisão de não contar ao resto da equipe para não distraí-los teria sido, vindo de qualquer outro personagem, uma tremenda estupidez, mas Prentiss sabia muito bem o que estava fazendo. Aliás, shippers como eu devem ter ido à loucura nas cenas do hospital, pois por mais segura e centrada que a personagem de Paget Brewster sempre seja, aparentemente ficou bastante emotiva em se tratando de Aaron Hotchner.
A agonia dela, estando no apartamento de Hotch (a trilha sonora - ou a ausência dela - contribuiu bastante para o suspense) com todo aquele sangue no chão, o caos reinando, ainda por cima tem que ouvir Reid levar um tiro. Bela hora pra ser líder... Mas, como sempre, não deixou-se abalar e chamou a polícia e a ambulância, salvando a vida de Reid e até a do unsub, que nem merecer merecia.
A sub-trama do caso da semana foi tão chata e dispensável que nem vale a pena o esforço de comentar. Teve só o garoto meio emo e o suspensezinho do "L.C.", mais os momentos "E.R." do médico para descobrir o unsub. Só. Tão dispensaveis quanto JJ e Rossi.
Morgan, ainda abalado pela historinha toda das credenciais, mal apareceu também. Como disse, o episódio basicamente pertenceu a Hotch e Emily. Já Reid teve até um gostinho do destaque reservado aos "líderes", com a desculpa esdrúxula para o joelho deslocado de Matthew Gray Gubler. Passou 100% do seu tempo na telinha sentado, imóvel.
Foyet. A praga dessa temporada, nosso novo Fisher King, ou mesmo o Tobias Hankel de Hotch. Cruel, sádico, maquiavélico, torturador. Jigsaw uma ova, o doido de pedra interpretado por C. Thomas Howell (o heroizinho de "The Hitchhikker") supera todos os níveis de vilão assassino louco por sangue já impostos. Não tem classe, como Hannibal Lecter. Nem é psicótico e indestrutível como Jason Vorhees, Michael Meyers ou Freddie Krueger. É um tipo completamente diferente de maluco psicótico. Veremos no que isso dá.
Falando nisso, e aquela cena das facadas? Meldelsducéu, o que foi aquilo? Além de ter uma fortíssima suspeita de uma inclinação basante homossexual do Ceifador após mecionar a análise dos profilers para as facadas, fiquei impressionda com a "precisão". Não porque Foyet queria tão desesperadamente estar no controle que nem se deu ao trabalho de matar Hotch, mas por pensar quanta prática seria preciso para esfaquear Hotch ONZE vezes e não romper nenhua artéria. Gormogon parece brincadeira agora, né?
Então é isso. Episódio fantástico, espectativa para "Haunted" enorme.

4 comentários:

Rosely Zenker disse...

Bom, eu não vi o episódio, mas já me contaram tudo.
Só vou ver em novembro rs
Mas, menina, seu texto está muito bom!!
vc vai ser jornalista ou o quê?
adorei tudo.
realmente o matthew é um exemplo de vida, nao parou de trabalhar mesmo estando em cadeira de rodas. ainda bem que agora ele já está bem!!
parabéns pelo seu blog, já fiz propaganda para um monte de gente.

Celia Kfouri disse...

Oi, Gabriela!

Ainda nao tinha lido seu texto, e também gostei bastante.

Fico feliz que você tenha concordado com a maioria do que eu havia escrito - Foyet controlando a vida de Hotch, como fizera com Shaunessy; sub-trama absolutamente dispensável; homossexualidade de Foyet, etc.
Acho que vc só divergiu - como sempre aconteceu! - do que eu escrevi sobre a Haley e o Hotch (eu nao gosto nem desgosto dela; só acho que eles mereciam uma nova chance de refazer a família).
E concordo que Foyet supera todos esses unsubs/vilões que vc mencionou. Talvez Frank seja páreo, mas os roteiristas foram realmente muito felizes ao compor a personagem de Foyet.

O 5x02 já tá chegando, aí comentamos mais. Até!

Marina disse...

O episódio foi bem tenso, e concordo q a história paralela não teve peso nenhum...


O Hotch emotivo na medida certa. A Emily cada vez melhor na série.


Ansiosa pelo 2° tb...

Parabéns pelo blog ;-D

Loony Reid disse...

REID*.*
ahhh o texto foi DEMAIS!!!
amo esse blogue(L)